A vida dos jogadores argentinos em Porto Alegre tem sido de opostos. Os dois colorados, Guiñazu e D'Alessandro, desfrutam de prestígio, são titulares indiscutíveis e ídolos da torcida. A situação é bem mais desconfortável para os gremistas Herrera e Maxi López, que chegaram nesta temporada para se tornarem soluções ofensivas do time, mas ainda não convenceram e lutam para se firmarem no elenco.Maxi López quer ter uma maior sequência para conseguir mostrar seu melhor futebol
Herrera voltou ao clube com status de ídolo, mas tem atuado mal e segue como reserva
Quando Maxi López foi apresentado no Olímpico, no dia 16 de fevereiro, afirmou que estava chegando ao Grêmio em um momento especial para argentinos no Brasil. Contratado a peso de ouro, o cabeludo passou um longo período se recuperando fisicamente, e só com a lesão de Alex Mineiro tem sido mais aproveitado. As atuações de Barbie, como também é conhecido, não vinham sendo boas no Campeonato Gaúcho, mas a inspiração foi outra na última terça-feira, quando ele marcou gol e foi um dos melhores em campo na vitória sobre o Aurora (3 a 0), da Bolívia."Para o goleador sempre é importante marcar. Foi meu primeiro jogo na Libertadores, me senti bem fisicamente. Fazer gol é meu trabalho. Na medida que vou tendo sequência, vou melhorar", promete o centroavante, que admite ainda estar devendo. "A torcida sempre me recebeu bem e quero devolver esse carinho. Com muito trabalho, esforço e gols".Se Maxi enfim começa a mostrar qualidade, seu companheiro Herrera vem na curva descendente. Depois de uma passagem pelo clube em 2006, quando conquistou o torcedor com seu futebol aguerrido, o atacante voltou, mas tem rendido muito pouco, ficando cada vez mais para trás na disputa por uma vaga. Contra o Aurora Herrera só entrou em campo porque dois concorrentes (Alex Mineiro e Reinaldo) estavam machucados e Jonas cumpriu suspensão. Até o momento, os argentinos fizeram dois gols cada.
"El Cholo" Guiñazu, capitão colorado, é grande ídolo da torcida e já virou boneco
D'Alessandro está bem identificado com o Inter e ainda não perdeu nenhum Gre-Nal
No Gre-Nal do último domingo, quando pela primeira vez os quatro argentinos estiveram em campo juntos, a vitória do Inter por 2 a 1 foi emblemática na comparação entre os hermanos. Os tricolores renderam pouco e não evitaram o terceiro revés no clássico só neste ano, enquanto a dupla colorada brilhou. Guiñazu foi o melhor em campo, e D'Alessandro entrou no segundo tempo para dar um passe genial para Índio garantir o resultado.Os argentinos do Beira-Rio têm prestígio de sobra. Com a saída de Edinho, vendido para o Lecce-ITA, "El Cholo" Guiñazu assumiu a braçadeira de capitão. O volante incansável conquistou espaço logo nas primeiras partidas com a camisa alvirrubra, em 2007. No ano passado, uma milionária proposta do futebol árabe quase fez o jogador ir embora, mas a transferência só não se confirmou porque a torcida implorou por sua permanência e o convenceu a ficar.A identificação do capitão com o clube é tanta que no final de 2008 ele virou boneco em miniatura, que fez sucesso entre os jovens e teve boas vendas no Natal.D'Alessandro não deixa por menos, e é hoje a referência técnica no plantel do técnico Tite. No Inter desde agosto, o meia também mostrou que tem estrela. Na sua primeira temporada em Porto Alegre, foi um dos personagens da conquista da Copa Sul-Americana, está invicto em Gre-Nais e vem se tornando um pesadelo para o rival Grêmio. Até o momento foram cinco clássicos, com três vitórias e dois empates com direito a dois gol marcados. "Não perdi ainda. Mas passamos a borracha e esperamos continuar assim", comemorou, em referência ao jogo das quartas-de-final do segundo turno estadual.Na ocasião, ele apressou seu retorno ao time, mesmo correndo o risco de sentir de novo a lesão muscular na coxa, e acabou sendo decisivo. "Não queria perder mais um Gre-Nal", salientou. Na final do primeiro turno, ele cumpriu suspensão e não participou da vitória colorada.Além de chamar a atenção pela técnica refinada, o invocado D'Alessandro se destaca por nunca fugir das brigas dentro de campo, sejam elas físicas ou verbais. "Sempre estou na confusão, acontece. Mas teve também contra o Juventude (empate em Caxias, dia 28/3) e eu não joguei, mas aí ninguém fala", brincou. Vinicius Simas, Pelé.Net
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